À espera de um carnaval temporão

Posted 03/11/2009 by Alexandre Brandão
Categories: Cultura

Imagine que, sem mais nem menos, os tambores resolvam inaugurar do seu jeito o tempo da destemperança, inventando com histeria de taróis um carnaval temporão, novembrino.

Com algum esforço, dará para improvisar uma fantasia mexendo e remexendo no armário, incluindo o do pai, o da mãe, o do marido, quem sabe até o do filho, mas neste caso não procure o que ali não se pode ou não se quer achar. Filhos têm fantasias do arco da velha, algumas os pais se esquecem de tê-las tido também.

Irá cair-lhe bem a roupa da Borralheira adaptada aos trópicos. Não lhe faltarão sapatinhos carregados por príncipes nórdicos, nerds, selênicos ou céticos. Nem digo a de um pirata de meia tigela: a venda num olho, mas o gancho no pé direito. O pileque tornará possível que se fique fantasiado, sem ficar fantasioso, cada um dos que se lançarem à rua no exato momento em que rufar o primeiro baticum.

Não faz mal que não estejam disponíveis os banheiros químicos, nem na festa oficial estão.

Não faz mal que a cidade esteja correndo de cá pra lá e de lá pra cá na sua hiperatividade habitual e sem norte. Deixe o trânsito congestionado digerir a fumaça, que é sua digital e nossa morte. Deixe as crianças na saída da escola espantarem-se com homens de saia e mulheres tortas de dar pena. Sopre-lhes ao pé do ouvido que isso é apenas uma das faces da alegria.

O contágio desse carnaval será homeopático. Um folião descerá de seu décimo primeiro andar trajando chapéu coco e bengala, crioulando lindamente a figura de Chaplin. Os vizinhos olharão praquilo com comichão de denunciar o meliante ou internar o trânsfuga. Porém surgirá, bem embaixo do nariz desses incautos desconcertados, uma lourinha que, traindo a lua, dar-se-á ao sol em trajes de odalisca com um nada de pudor. Sem contar um padre de araque que rezará três vezes antes de verter a primeira talagada e abraçar os pecados que só mesmo a carne sabe e ousa cometer. Quedarão conformados os caretas.

Surpresos, os porteiros tenderão a ficar, como os soldados, em posição de sentido, porém não tardará muito para inventarem danças com a vassoura, os mais sortudos, com a dama roliça do 307 e os enrustidos, com o rapagão de rua que está sempre por ali, às vezes dando conta de si mesmo embaixo do cobertor escondido durante o dia sabe-se lá onde e em cima dos jornais que não se cansam de noticiar as repetidas falcatruas, os desastres esportivos e as aberrações sociais.

Até mesmo os que, na festa de momo, preferem a serra, as águas de Minas ou o frio europeu sambarão espremendo-se nas cercanias de um trio elétrico improvisado numa ambulância cujo doente estará fantasiado (é melhor acreditar nisso) de morto.

Haverá beijos dos mais íntimos. Haverá abraços dos mais honestos. Haverá brigas; como de praxe. Haverá descobertas que, à primeira vista, assustam: um desvio de sexualidade, uma tendência ao álcool, uma queda pra vagabundagem.

Quando amanhecer, a cidade estará suja, não em demasia, e o Sorriso dará conta dela em dois tempos, inumeráveis vassouradas e não sei quantos passos no ritmo de um samba que inventa e assobia pra dentro.

lixeiro sorriso foto de daniela clark g1 okok

Ilustração sobre foto de Daniela Clark - G1

Por outro lado, a mesma cidade de todo o dia estará feliz por ter-se rendido ao imprevisto e desejará outros momentos como aquele em que a alegria mandou o baixo astral pro céu do inferno, longe dali.

As nossas tristezas

Posted 29/10/2009 by Atila Roque
Categories: Cultura, Segurança, Sociedade, Violência

Ontem conversando com uma grande amiga, especialista em segurança pública, entrei em contato com uma enorme tristeza. Uma tristeza que já tinha de certa forma sido expressa no comentário do meu amigo, irmão, escritor e poeta, Alexandre Brandão, o Xandão, no post abaixo. Ela passou os últimos dias vendo e revendo as fitas com as cenas que flagraram a chocante indiferença dos policias diante da vítima ainda agonizante, mais preocupados em predar os predadores que tinham acabado de ferir mortalmente o coordenador social do Afroreggae, Evandro João da Silva. O que ela viu e a deixou ainda mais chocada não foi apenas a frieza abjeta dos policiais diante de mais uma morte inútil.  Assistindo ao registro visual dos muitos minutos, quase uma hora, em que Evandro fica ali estendido na calçada, ela se deu conta da indiferença coletiva, patológica, que nos adormece os sentidos diante  da tragédia humana. As pessoas passam, olham e seguem, sem que ninguém se aproxime daquele ser humano no chão para verificar se ainda vive. Ninguém usa o celular para chamar imeditamente uma ambulância que, sabemos, chegou quase uma hora depois do acontecido. Ninguém derrama uma lágrima pela tragédia do Evandro, a tragédia de todos nós, no momento em que ela acontece. As circunstâncias que a cercam são um testemundo eloquente da nossa miséria existencial. Estamos nos tornando piores a cada dia se continuamos a acordar e dormir com essas tragédias como se fossem apenas um fato como outro qualquer, capaz de gerar, no máximo, mais uma tocante e necessária manifestação do Movimento Rio da Paz. Enquanto isso a polícia parece seguir o padrão de combater o terror com mais terror, levando vidas inocentes pelo caminho, a mãe de apenas 24 anos com o bebê no colo ou o menino de 15 anos que mal merece manchete nos jornais. A minha amiga, acostumada a dureza do seu ofício, contou que chorou muitas vezes diante daquelas imagens. Chorou por todos nós.

(Atila Roque, 28/10/2009)

O retorno das más notícias

Posted 22/10/2009 by Atila Roque
Categories: Segurança, Sociedade, Violência

Parecia que a onda começava a mudar e, finalmente, boas notícias começavam a surgir no noticiário da segurança pública. A Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) recém realizada, as experiências das Unidades Paficificadoras da Polícia (UPPs) em algumas favelas cariocas e a premiação dos exemplos bem sucedidos da ação policial virtuosa eram sinais claros de que novos ares começavam a soprar na área da segurança pública, especialmente no Rio de Janeiro. Começava-se, inclusive, a se falar no surgimento do sentimento de “orgulho policial”,  como em outros momentos se falou de “orgulho negro” (black is beautiful) ou orgulho gay, para expressar um crescente reconhecimento do valor social de uma polícia eficiente e cidadã, capaz de agir com inteligência e sem truculência na prevenção e repressão do crime. Uma polícia que almeja ser cada vez mais parte da solução e não dos problemas.

No entanto, os episódios desta semana vieram mostrar para os que ainda se iludiam que o buraco é bem mais embaixo e que estamos longe do dia em que teremos uma polícia e uma política de segurança digna de uma democracia e de um país com as dimensões e ambições do Brasil. Os eventos chocantes de violência e caos no Rio de Janeiro que resultaram, em menos de uma semana, na morte de mais de 30 pessoas e na derrubada  de um helicóptero da polícia, revelaram a falta de coordenação e articulação das principais autoridades do Estado, o baixo preparo da polícia e a permanência de antigos vícios. Surpreendidos pela guerra do tráfico a polícia reage com ações espalhafatosas de baixa eficiência e muito violência, especialmente para as comunidades pobres diretamente envolvidas. O risco agora é o retrocesso dos movimentos ainda tímidos,  mas extremamente importantes, de civilização da ação policial, em favor da pirotecnia espalhafatosa das ações espetaculares, quase sempre acompanhadas de violência e de baixíssima eficiência no combate efetivo do crime.

E para completar as péssimas notícias dessa semana, a informação de que policiais militares que chegaram quase imediatamente à cena do trágico assassinato do coordenador social do Grupo Cultural Afroreggae, Evandro João da Silva, no último domingo, não apenas ignoraram a sua agonia, deixando de socorrê-lo logo após o assalto, mas também permitiram aos assassinos irem embora depois de negociações obscuras feitas imediatamente após o crime. A gravação recuperada das câmeras de segurança do comércio e dos prédios com as imagens indiferença dos policiais diante de uma pessoa baleada e, depois, de um dos policiais voltando para o carro com os pertences roubados de Evandro, enquanto um dos assassinos deixava o local tranquilamente, choca e causa enorme tristeza.

A maneira como as autoridades públicas responsáveis pela segurança pública vão atuar nos próximos dias será um indicador valioso do que devemos esperar daqui para a frente. Só posso sonhar que o tempo das boas notícias não tenha sido tão precocemente encerrado.

(Atila Roque, 21/10/2009)

Luis Nassif, mídias e novas tecnologias

Posted 19/10/2009 by Atila Roque
Categories: Cultura, Mídia

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O jornalista Luis Nassif é um pioneiro do jornalismo de qualidade na internet. Por isso é sempre bom prestar atenção no que ele anda dizendo sobre as tendências atuais da mídia e das novas tecnologias, como faz neste vídeo, publicado hoje no Portal do Nassif:

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Imagens de tirar o fôlego

Posted 16/10/2009 by Atila Roque
Categories: Cultura, Meio Ambiente

Fotos realmente lindas na mostra fotográfica “Floresça! Imagens da Fronteira da Conservação”, em cartaz de 15 de outubro a 9 de novembro Botânico do Rio de Janeiro, com fotos da ONG Conservancy International.

Veja a matéria do UOL e assista ao slide show.

Foto de Luciano Candisani / Conservação Internacional

Foto de Luciano Candisani / Conservação Internacional

Hoje, o que sei da poesia

Posted 09/10/2009 by Alexandre Brandão
Categories: Cultura

Gávea3

Por: Alexandre Brandão

Não me tomem por pecador, se falo fala fina e tímida, com jeito de iconoclastia. Tem dias que não estou pra Drummond, não estou pra Adélia, não estou pra Pessoa alguma. Noutros, sou eles e esqueço de mim, ou, por outra, sou o que só pra mim, de mim, dizem: podre se podre, pétreo se pétreo; líquido.

Não é sempre que me alcançam os outonais haicais, por breves. Não chego inteiro, sequer aos pedaços, pois estes esfarelam-se pelo caminho, aos épicos de cauda longa. Seduzido sou pelo ritmo, pela pegada, pelo pancadão. Olhe, por exemplo, o bumbo nocauteador do poeta Barreto (O sono provisório, pág. 11, 1978, Editora Francisco Alves):


    Vivo sobrevivente de um desastre aéreo e
    ferroviário
    que acontece todos os dias na cozinha
    onde escaldo calendários e fervo a família
    jornais e margarinas
    Tempero com cola substantivos abstratos
    como quem tenta se vingar da própria língua.

Mesmo contrita no adro da casa santa, a poesia está sempre fornicando. Às vezes, com anjos; noutras, com sono. Seu gozo não é sopa de letrinhas, não são os postergados pelas prostitutas; seu gozo é silêncio e bambeza de pernas, tracejado por um cartunista que se deixa levar pelas pontas rombudas de seus lápis.

Entendo a poesia que descomprime o tórax, permitindo assim a passagem da respiração, que fluia tranqüila e, por assustar-se, cai momentaneamente no sono. Odeio o entendimento loquaz da poesia, garganteado pelos bêbados da razão. Amo a poesia dos calafrios.

A poesia não ri de mim, não ri pra mim. Não chora de mim nem chora pra mim. A poesia caçoa do sol, conquanto o descreva em versos amarelos. A poesia nunca viu a lua, pois à noite cheira dos tatus as tocas e assiste a coito de formigas que, sob o mantô de terra, fazem o feito, o desfeito e não murmuram. As formigas não murmuram; a poesia, sim. Nisso, parece-se com as vacas e com os vasos sanguíneos do velocista que busca quebrar o recorde olímpico.

A poesia, amante, se é, não espera. Quando quer, cheira e fuma as delícias de seu vício para entrar no sonho alheio e tirar do foco as imagens que, por si só, são incompreensíveis. Desse modo faz partir pra longe a última chama memorial que o adormecido cultivava como lágrima contida. Pela manhã, ao sentar-se na cama, botar os pés no chão e começar a fazer força para erguer o corpo, o poetinha distraído e sonhador ganha no bucho de sua consciência uma gota de verso como esta:


    Pago todas as contas
    Mas comigo não conte
    Para afundar navios
    E fundear vazios
    Distintos dos meus.

A poesia é a voz que se escuta quando não há voz alguma, e os poetas são os doidos da vez — de todas as vezes.

Graciás a “la Negra”, Mercedes de Sosa

Posted 06/10/2009 by Atila Roque
Categories: Cultura, Música, Política

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Cheguei em casa hoje cedinho, antes das seis da manhã, da Tanzânia, depois de uma longa viagem, com um pernoite afetivo em Zurique, onde vive com a família meu irmão. Enquanto esperava alguém levantar fiquei a divagar um tanto sonolento e pensei, calmamente, nas notícias sobre a enfermidade e a morte da cantante argentina – pero latinoamericana, índia e chilena -, Mercedes de Sosa. Recordei com gosto a minha juventude, os meus “vinte anos blues”, como cantou Elis, na canção de Vitor Martins e Sueli Costa. A voz de “La Negra”, como era conhecida, fez parte da (minha) trilha sonora dos finais dos anos 70 e dos intermináveis anos 80. Tempos de intensa e apaixonada vocação política, indignação, vontade sincera e desinteressada de mudar o mundo, fazer a revolução: paixão pela vida e pelos vivos. Tempos de amizades enormes que duram até hoje, amores ardentes e avassaladores (acompanhados de dores de cotovelo igualmente terminais) e muita música. Lembrei encontros com amigos que já se foram, alguns tão cedo e tão desnecessariamente. Das muitas manifestações de rua, discussões no colégio e na universidade, das primeiras vitórias e também das primeiras derrotas políticas.

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Tempos em que a América Latina era para a minha turma quase somente o Chile, pois entre nós tínhamos Carlitos, Alejandro, Catalina e outros chilenos “exilados” (tinha também um boliviano, mas na confusão passava por chileno…) no Rio de Janeiro, acolhidos pela PUC e/ou por Santa Teresa, cúmplices de bebedeiras homéricas na saudosa “Cantina Bolognesa”, onde aconteciam discussões sem fim e com poucos acordos sobre a situação política no continente. E quando as cadeiras eram empilhadas e o chão escovado, a conta era invariavelmente “pendurada” para horror do Rogério, dono e maitre da Cantina, que apesar de tudo sempre nos acolhia de volta e, às vezes, ainda levava eu, Xandão, Paulinho e outros largados para tomarmos uma última dose no seu apartamento. Todos chorávamos e cantávamos -  com o Paulinho ao violão, nosso irmão músico mais doce e talentoso – com o canto de Mercedes, a “chilena”, amiga de Violeta Parra e parceira de Milton Nascimento, entre outras, em “Volver a los 17″. Éramos sim perdidamente românticos.

Senti, pois, um misto de tristeza e alegria, um agridoce típico de especiarias culinárias, uma saudade feliz do bom tempo que tive a sorte de viver e que tanto faz parte do que eu sou. Por isso deixei, caso ainda faça sentido, para falar dos últimos dias em Dar es Salaam e na Tanzânia em um outro momento e dedicar este post à “La Negra” e às paixões e amizades que persistem no tempo, mesmo quando este insiste em passar…

(Atila Roque, 06/10/2009)

Mikumi National Park

Posted 01/10/2009 by Atila Roque
Categories: Internacional

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A viagem a Morogoro foi longa e cansativa, mas valeu o esforço. E uma das razões se encontra brevemente resumida neste vídeo. É o máximo que consigo depois de quatro horas de estrada de volta a Dar es Salaam. E o amor da Shirley pelos hipos merecia esse registro…

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A moeda tem (pelo menos) dois lados

Posted 29/09/2009 by Atila Roque
Categories: Internacional

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Foto da coleção Flickr do fotógrafo filipino Farl que fez imagens lindas da Tanzânia  http://www.flickr.com/photos/colloidfarl/ .

Foto da coleção Flickr do fotógrafo filipino Farl que fez imagens lindas da Tanzânia http://www.flickr.com/photos/colloidfarl/

Os últimos dois dias foram intensos, com muitas conversas sobre como as organizações sociais atuam na Tanzânia, em especial o trabalho fantástico com a mídia desenvolvido pela organização que nos recebe em Dar es Salaam, a HakiElimu. Também andei um pouco mais pela cidade e mantive as impressões positivas, com todas as ressalvas de uma realidade marcada pelas desigualdades,  com indicadores sociais (saúde, educação, pobreza extrema) que jogam o país para a nada confortável  152º posição, em um total de 179 países analisados, do Índice de Desenvolvimento Humano (PNUD/ONU).

Mas a dura realidade dos dados de mortalidade infantil e neo-natal, acesso à educação, expectativa de vida, pobreza extrema, entre outros, ainda não se revelou abertamente nessas minhas andanças por Dar es Salaam. Certamente porque o meu circuito esteve  limitado a uma área mais afluente de uma cidade gigantesca (já ouvi estimativas que ultrapassam a informação do post anterior e colocam a população total perto dos 6 milhões de pessoas), em constante movimento. Vejo sim os sinais da pobreza e das desigualdades, contrastes nossos conhecidos, mas nada da “realidade africana” revelada nos indicadores.  No entanto, ela já aparece nos relatos que tenho tido a oportunidade de ouvir dos trabalhos realizados na área de educação, saúde e promoção dos direitos humanos. São histórias de descaso e abandono na área de educação, graves deficiências na  saúde, em especial das mulheres, preconceito e violência contra alguns setores da população (por exemplo, pessoas com a despigmentação típica dos albinos), corrupção, entre outras violações de direitos fundamentais. Mas comparada a outras capitais da África e do “mundo em desenvolvimento”, Dar as Salaam se apresentou até agora de maneira extremamente ordenada e com o inevitável caos urbano mantido em patamar bastante tolerável.

Amanhã sairei da capital e vou dormir em outra localidade, Morogoro, com direito a visita a um dos famosos Parque Nacionais que constituem um dos principais orgulhos da Tanzânia.Tirarei fotos, como um bom curioso, e cuidarei para não ser caçado pelas leoas e comido pelos leões (a lei da selva é machista que só, as leoas caçam, mas comem apenas depois que o leãozão se encontra devidamente saciado…). Na volta eu conto…

Dar es Salaam

Posted 27/09/2009 by Atila Roque
Categories: Internacional

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A primeira impressão da cidade é boa. Chamada de “Cidade dos Sonhos”, tradução do nome árabe, Dar es Salaam é  a principal e mais rica cidade do país, com cerca de 4 milhões de habitantesa. Foi a capital da Tanzânia até o ano de 1974, quando  o título passou para Dodoma , sem com isso perder  o charme de uma cidade cosmopolita e acolhedora. Pelo menos era isso que ia me dizendo Betty, uma das coordenadoras da organização Hakielimu, responsável pela minha programação, enquanto nos dirigíamos ao restaurante onde almoçamos um sortido de peixes e frutos do mar de se comer rezando e agradecendo a  “Mamma África” pelos seus cheiros e sabores!

Ela ressaltava, na conversa, o fato da cidade ser conhecida pela diversidade, com uma população composta de praticamente todas as 124 etnias existentes no país, sem que nenhuma prevaleça sobre as demais e todas adotarem o “Swahili” como idioma comum. O inglês também é um dos idiomas oficiais, mas não é falado por  todos e raramente de maneira fluente. Outra coisa que merece destaque é a divisão praticamente meio a meio  da população entre cristãos e muçulmanos, reforçando uma tendência ao convívio entre diferentes crenças e de razoável tolerância religiosa, sem muito  espaço para fundamentalismos. Esse é um tema  sobre o qual devo saber um pouco mais nos próximos dias, especialmente estando sob os cuidados de uma organização de mulheres, vítimas mais comuns dos fundamentalismos de todos os matizes.

Dessa primeira saída fica a impressão de uma cidade calorenta, úmida e simpática, com muitos bares ao ar livre, praias bonitas com coqueiros e um mar verde escuro, com água de temperatura amena, praticamente morna, lembrando algumas cidades do nordeste  brasileiro. Impressões bem melhores do que aquelas que tive – mas não contei aqui – durante o caminho do aeroporto para o hotel, simplesmente um horror. Mas eram altas horas da noite e estava com a visão e o humor prejudicados pela longa viagem…

(Atila Roque, 27/09/2009)