De olho nas eleições 2010: o que esperar?
O INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos) publica matéria sobre as eleições presidenciais em 2010. O quadro geral das eleições, quais serão os/as candidatos/as, as plataformas políticas e o comportamento do eleitorado são os principais pontos ressaltados na primeira edição da série “De olho nas eleições 2010″. Confira a matéria completa.
Add comment 04/02/2010
Escolhas
“Um homem fazendo a barba na frente do espelho está num momento crucial da sua existência. É um momento que se repete todas as manhãs, tão banal que ele mesmo não se dá conta do seu significado maior. Mas todas as manhãs o homem se depara com uma escolha que pode mudar sua vida. Deixo ou não deixo crescer a barba?”
… leiam o resto da crônica do Veríssimo, “Escanoar-se ou não escanoar-se”, na edição de domingo passado no jornal Zero Hora.
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Cinquentinha
Em 50 anos, algo aleatoriamente, eu tive:
A sorte de amizades que duram mais de 30 anos
Amigos músicos, poetas, escritores e loucos
O azar de perder amigos cedo e jovens.
Porto Seguro sem eletricidade e Arraial da Ajuda só para nós
A felicidade de amar mulheres sensacionais
E de estar casado com a melhor delas há mais de 10 anos
Namoradas que se foram com amigos (e outras de amigos)
Mas nunca um amigo que tenha ido com a namorada
Um pai que me ensinou os fundamentos do certo e do errado
A dor de perder o pai com apenas 23 anos
Uma filha e um filho que me fizeram perder o medo de ser piegas
A sorte de nunca ter sido preso, mesmo tendo feito por onde…
E não ter apanhado da polícia enquanto à minha volta os cassetetes cantavam
Cabelo “black power”, sapato plataforma e calça boca de sino
A maravilha de viver os meus 20 anos nos anos 80
“Trate-me Leão”, Pasquim e Circo Voador
Ingressos para assistir “Hair” e dançar na lama no “Rock in Rio”
Fôlego para ver a Madonna e os Rolling Stones no Maracanã
Uma viagem nunca feita a Machu Picchu e outra feita ao Pantanal
A paixão nunca perdida pela música
A dádiva de sempre ter trabalhado com o que gosto
Um prato com meu nome na Cantina Bolognesa
Porres homéricos na Cantina Bolognesa
A experiência radical da solidão no Japão
Uma psicanalista péssima e outro sensacional
O espanto de nunca ter fumado
O azar de não acreditar em deus, nem em duendes
O amor e a companhia fiel de muitos cachorros
A experiência com drogas leves ilegais e o uso de drogas pesadas legais
A banda Black Rio como vizinhos
Uma bicicleta, um skate e um fusca cor de abóbora
Várias calças jeans e nenhum terno
Um amigo jornaleiro quando criança e um cinema “poeira” perto de casa
O gosto nunca perdido pelos “filmes B” e novelas policiais
A compulsão nunca esgotada de comprar livros
A sorte de chegar aos 50 anos.
E quem quiser que conte outras…. por que a lista não acaba e a vida continua!
(Atila Roque)
13 comments 15/01/2010
Haiti
Estou chocado e triste com mais essa tragédia no Haiti. Tive a sorte de visitar o país há alguns anos. Um país de pobreza cortante, estado desmantelado, sociedade dilacerada pela violência e economia inexistente. Com tudo isso encontrei uma população amável, receptiva e alegre. Um país quase esquecido pelo mundo e sobre o qual ninguém ouve falar a não ser em momentos de tragédias, infelizmente, muito constantes. Em meio a isso a notícia de que Zilda Arns, da Pastoral da Criança, é uma das vítimas fatais do terremoto aumenta a minha tristeza.
1 comment 13/01/2010
As particularidades de janeiro
Janeiro é o mês que nos pega com um pé em dezembro e outro em fevereiro. Não se quer dizer com isso que seja desprezível. Muitas pessoas nascem nele: lembro-me de meu sobrinho mais velho, de três amigos e da filha de um deles, além de minha sogra (calem-se: a minha não está na categoria das sogras das piadas). Para quase todo o mundo, é o período de férias. Há coisa melhor do que férias?
É verdade que alguns confundem o mês à temporada das ressacas. Nada mais errado, ainda que as ressacas de janeiro sejam como as chuvas de março: inesquecíveis. Calha então de janeiro ser mês de promessas. Não bebo mais. Nem como. Não pulo cerca. Não cerco Lourenço.
Na realidade, promessas, muitas, foram feitas em dezembro, mas as de janeiro dão as mãos ao Remorso, são promessas sobre promessas, portanto, é o momento em que o Fracasso passa a pilotar o destino. Por isso, lavam-se as escadas das igrejas de Salvador. E chove tanto. E o calor finge que não é com ele.
Não há frutas de janeiro. Tampouco flores. Em compensação, aflora-se a sexualidade juvenil. Os professores tiram o jaleco.
Em janeiro, envergonhada, a celulite ganha as praias, e as cachoeiras não escondem suas trombas d’água. O avaro rói a unha para economizar as mangas tardias. Uma penca de meninas destrói as bonecas que o Natal esqueceu sob as árvores de suas casas.
Em janeiro, o alcoólatra toma juízo. Às vezes, com vermute, na calada das noites pequenas e intensas. A lua, por seu turno, ilumina a noite porque esse é seu destino. Por ela, regurgitava o calor medonho do sol e recolhia-se à escuridão de sua vizinhança.
Não se dança bolero em janeiro. Os apaixonados perdem-se no iê-iê-iê, e os desesperados, apaixonados ou não, descrentes com certeza, jogam búzios e deixam trabalhos malfeitos em esquinas inocentes.
A desmemoriada tenta nas quatro segundas-feiras de janeiro, nas quatro terças, mas não em todos os domingos, decorar o samba enredo do Salgueiro, esquecendo-se que desfilará na Mangueira.
O mar, esse incansável, espreita os bobos e dá-lhes caldos, alguns mortais. Sem saber a situação na qual lhe foi enviado o brinde, Iemanjá agradece, soprando as costas do Brasil com seu bafo sensual. Janeiro é um deus-nos-acuda, com orgasmos ao meio-dia e quase orgasmos em horas impróprias.
Janeiro é começo, logo, nele engatinhamos sem fraldas, ainda que precisando bastante delas. Em que outro mês os cobertores poderiam ganhar o direito de tomar sol nas áreas minúsculas dos apartamentos minúsculos?
Os neuróticos entram em parafuso, pois seus analistas estarão de férias. O padre reza missas sem cuecas. Tudo no primeiro mês do ano.
Os presos se odeiam em janeiro e, por isso, abandonam seus comandos. É o mês do indivíduo. Mas é também o mês em que o prefeito, o governador e o presidente tomam posse. O povo ensaia uma esperança, mas guarda-a para depois do carnaval, pois lá fora um bloco do sujo grita por seu nome.
Os homens, achando-se felizes ou até mesmo sendo, vão ser reis momos. Tudo indica que em fevereiro, raramente em março. Paciência. Dedica-se janeiro à preparação.
(Alexandre Brandão)
2 comments 10/01/2010
A mulher sensata
“Cada vez que a mulher sensata vai para a cama com alguém diz ao namorado que foi, não por um ataque circunstancial de lubricidade, mas porque se apaixonou.”
(Do conto “A sensatez”, do livro O porquê de todas as coisas, de Quim Monzó, traduzido do Catalão pelo meu amigo Ronald Polito)
Add comment 10/01/2010
Políticos e instituições defasados no tempo

Talvez a maior lição da Conferência de Copenhague tenha sido demonstrar definitivamente o enorme descompasso entre os problemas que a humanidade enfrenta e as instituições com a qual contamos para resolvê-los. O senso de urgência que parece cada vez mais evidente às pessoas comuns não é capaz de sensibilizar os organismos internacionais. A ONU saiu perdendo mais uma vez. E as lideranças mundiais carecem da grandeza e da visão política que seriam necessárias nesse momento crucial da história humana.
Um dos momentos mais simbólicos do fracasso de Copenhague foi o gesto desesperado da pequena ilha de Tuvalu que conseguiu paralisar as negociações por algumas horas exigindo compromissos mais efetivos em relação a redução das emissões e limites para o aquecimento global. A tragédia anunciada de Tuvalu, fadada a desaparecer sob as águas do Pacífico, não foi capaz de comover os milhares de delegados oficiais e os chefes de estado presentes na COP 15.
O imediatismo e os interesses econômicos prevaleceram. Estados Unidos e China uniram-se em torno de um pacto medíocre que adia decisões e estica a corda do planeta quase ao ponto de ruptura.
O Brasil conseguiu se sair bem graças ao instinto político do Presidente Lula que fez um discurso contundente na reta final da conferência, rompendo com o falso consenso do G77, como tinha feito antes Tuvalu. Com isso, felizmente, temos o que cobrar no Brasil.
Mas a pegada ecológica deixada por delegados advindos do mundo inteiros por via aérea, as centenas de jatinhos particulares e aviões oficiais, inclusive o Air Force One e o do Presidente Lula, sem falar nas 1200 limusines movidas a diesel, deixaram um saldo indubitavelmente negativo para a COP 15.
(Atila Roque)
1 comment 21/12/2009
Um Natal
Na minha infância, houve uma Geroma (ou seria Geromba?). Houve também Ana Germana e Sá Inês. Sá Chica; Dita. Houve um seu Frota. E meu tio e padrinho Lozo.
Houve um tombo da carroça. Manta numa troca de uma patativa por uma bicicleta. Carreira que levamos, eu e meus amigos da rua, do Dê da Dona Maria. O velório da mãe da Dona Antonina, fessora do terceiro ano. A magia da casa de minha avó Tomásia, cega que se mantinha longe da escuridão.
Aquele passe de Pelé. O gol. A Copa de 70. Houve a gaiola silenciosa na mão do tio Lupércio. Reunião de homens na varanda falando de negócios. O cavalo Bainho, o Segredo e a Londrina. Também o Guarani. Dez pães de queijo comidos antes do almoço — o que deixou estarrecido meu tio Lozo, logo ele, que matava frango à distância, com tiro de cartucheira. E ainda a bica fria do Gordurinha, onde éramos obrigados a fazer as necessidades no fundo do pomar.
Houve um romance de mentira com a vizinha. Numa tarde, a brincadeira de carregar às costas por toda a casa uma de minhas irmãs: eu de Cristo e ela de cruz a ser levada ao calvário que nunca chegava, e nunca chegou. Tudo indica que não sou Cristo que se preze. E minha irmã nem de brincadeirinha convencia, ou convence agora, como cruz.
As balas da Kopenhagen levadas do Rio de Janeiro por minha avó materna pros netinhos caipiras do interior de Minas. O mar nas férias. A ilusão de que, tendo o mar por perto, tudo o mais seriam balas de frutas e Nhá Benta. Já então a solidão beliscava a gente, e a gente, inocente demais pra entender dessas coisas.
A conversa mole de meu pai tentando encorajar alguém a comprar ou a vender. O momento encantado de vê-lo apartar os bois. E a suspeita de que ele carregava, no corpo franzino, sabedoria e ansiedade. Houve meu pai.
Houve minha mãe. Os trovões que a deixavam paralisada. Os raios que a deixavam como que inválida. De outro modo, o sorriso que iluminava seu rosto de menina peralta, que algum dia, na infância, quebrara vidraças de vizinhos.
Sopa de macarrão temperada pela Célia. A Célia e seu carinho desinteressado. Houve uma pedrada, aliás, duas, em minha cabeça e consequentemente muito sangue. Na véspera do casamento da Rita, um choque elétrico, cuja marca trago até hoje.
Houve, entre tantas lembranças, um Natal em que corremos à varanda da casa da tia Yole atendendo ao grito de alguém avisando que Papai Noel cruzava o céu com suas renas. Não era blefe. Porém, mesmo vendo-o ali em seu trenó riscando a escuridão, não me convenci dele. Ao contrário: passei a ter certeza de sua inexistência.
2 comments 12/12/2009
Coisa de meninos
Não é uma gracinha o Ministro da Fazenda medindo o tamanho do PIB com a União Européia?
Vamos ver quem faz pipi mais longe?
Nada como viver em um país desenvolvido…
Add comment 10/12/2009



